segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sentir e confiar.

Feridas abertas
incuráveis por opção.
Fiz-me fortaleza
pela dureza de negar-me
o afeto de outrem.

Recolhi pedras
e ergui muralhas
ao meu entorno.
Protegendo-me do sentir.
Refúgio, fora de mim.

Entre os muros
pude silenciar o mundo
mas, não à meus sentidos
e aguçados por instinto
eles burlaram barreiras
e se entregaram, arrastando-me.

Posso finalmente ter o outro
deleitar-me em suas presenças
e encantar-me com olhares.
Buscando a fragilidade
para o magnífico sentir da proteção.




Fantoches ou animais?

Quão mais nítida e próxima a realidade.
Mais cegos os homens parecem ficar.
Cegueira que perpassa a capacidade de
não ver e chega ao não sentir,
não estar, não viver ...
Por vezes, a caminhar pelas ruas
tenho  a sensação de vivermos
encenando um [espetáculo]
sem arte, sem desejo, sem prazer.
Limitados ao papel que nos cabe
ao lugar que marcaram para estarmos
e enrigecidos a expressão que
pintaram em nossas faces.
Observando apenas o que nos é
permitido, repetindo comandos.
Sem ousar mover nossas cabeças
para enxergar o que há do outro lado.
Há muito roubaram os minutos
que reservávamos para o pensar.
Essa é a realidade idealizada?
...comodidade, segurança, sossego...
consumo sedentarismo, robotização.
Sob os muros do capital.
Por fim, ouso proferir uma pergunta;
Onde esconderam aquela tal capacidade
 humana de " transformar"?



segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Se uma flor falasse...

Era o jardim de uma flor só.

Não de uma flor solitária.

Pois havia um sol, a iluminá-la,

E a oferecer-lhe tudo o quanto

Jamais havia desejado.

Eram ofertas de um sonho.

E ela antes branca ia sendo pintada de azul.

Porém, era hora de amanhecer, e

Não havia sol, a luz furtou-se,

E a flor, antes dita do sol,

Perdeu-se na infinita escuridão,

A procurar um espinho qualquer

Em si mesma ...

Tentando compreender o sol.

Já não há jardim,

músicas, abraços.

E no frio dos dias que são noites

Quem foi flor lembra e senti

O quanto era bom ser do sol.

CENA ... S

CENA ... S



Expectadora deslumbrada,
Descobri-me... de teu mundo.
Que por tanto fascinar-me,
Ilusoriamente faz-se distante.
Outro, cruelmente fora de mim.
Inquietude e desejo.
Tomam-me, mas... prudente
Recolho-me ao meu personagem.
... Distraída perdi o ato
Revelando que os mundos são,
de fato, um improviso teatral.
Platéia e artista
Invertem papéis.
Acordei; o palco era também meu.
E havia cenas em que... mudos
Comunicávamos infinitamente.
De espetáculo em espetáculo
O que restava lá fora
Apequenava-se, de uma estranha forma.
A vida... até parecia
fruto de nosso teatro.
O universo... criado
a nosso querer.
E a nossa cena, a luz da lua,
desprovida de pressa
ou tempo para findar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Seres Desumanos.


Certo dia,ouvi alguém denominar um ato de desumano.
Pus-me a refletir sobre tal palavra.
A procura do significado encontrei; não humano, cruel.
O que me levou a ir à procura do termo humano: Humanitário,
Bondoso, compassivo, benigno.
Temo que se aplicado à realidade concreta estes termos
se confundem.
Crueldade é uma das mais manifestas e notáveis
características da história da humanidade.
Todos os dias são mortas milhões de pessoas mundo a fora
pelas mãos humanitárias dos homens.
A bondade a tempos é vendida.
Como quase tudo em nós humanos, também tem seu preço.
Benignidade dispensa comentários, decapitamos, queimamos,
os que simplesmente eram diferentes de nós.
Tornamos invisíveis àqueles que julgamos menos e/ou menores.
Treinamos nossa consciência diariamente na tentativa de minimizar
nossa culpa, querendo lavar as mãos que já inexistentes.
Somos então os “Seres Desumanos”, mas podemos ficar calmos,
Já estamos cuidando disso... Olhe ao redor, o auto-extermínio começou.
Se ainda resta alguma sensibilidade, alguma fé.
Se ainda lembramos de nossa origem,... Iguais.
Se ainda restou força... e o tempo é pouco...
Tire os óculos escuros e veja, REAJA.
Busque o humano que pode ser.

Raissiana Vidal

Preencher-me até derramar-me.

Nessa vida que ganhei
Eu quero o querer das pessoas
Que me recebam como eu me propuser
È claro que hei de
apaixonar-me por algumas delas.
E será com essas que
Além de encontrá-las
desejarei perder-me
em suas presenças e
embriagar-me do mesmo ar.
O que não quero é ter
que privar-me de algo.
Quero Amar e sofrer.
Revoltar-me e gritar.
Beber até que meu corpo
não tenha mais espaço
e derrame-se...
Experimentar a vida
até que a última gota
de curiosidade seja finda.
Vou correr, por vezes,
mesmo que o ritmo
da vida esta lento.
Quero sentir o gosto do suor.
Ver o cheiro do mundo.
Degustar as memórias.
E ouvir os silêncios.

Raissiana Vidal

O encontro.

Desde sempre me pareceu, e eu encarei como um sonho bom, ou melhor, uma aventura irreal. E foi sempre dessa perspectiva que fui vivendo essa história, não desejei fatos reais, não planejei momentos, não treinei assuntos, nem muito menos esperei algo em troca.
Sonhei com encontros a luz da lua, com sua voz ao som do violão, com conversas que jamais tivera com outras pessoas, aquelas nas quais não se quer persuadir o outro, tão pouco induzi-lo, e sim lhe mostrar nossas esperanças, medos, infantilidades e nossas paixões. Meu espírito alegrou-se por diversas vezes, sozinho, quando pensei em minhas reações no momento em que nos encontraríamos, quando lembrei de nossas conversas e não posso omitir, quando recordei suas gargalhadas.
E fui saboreando todas essas sensações como um moleque degusta a fruta que acabou de roubar do vizinho, era tudo aquilo que sempre idealizei, mas, que jamais pensei que viesse a viver. Então era ótimo, está sendo personagem daquele “conto de fadas”, e não ousei pensar em mais nada. Seguia rindo das declarações de carinho, afeto e admiração por virem de alguém que tão pouco me conhecia.
Foi então que o sonho começou a transpor a atmosfera mágica, pois, o que era abstrato tomou rapidamente forma, e apareceu para cobrar tudo aquilo que lhe tinha sido ofertado.
Parecia que eu estava estreando a peça antes já ensaiada, foram as mesmas poucas palavras, a mesma reação, o mesmo rosto rosado de medo do novo e do futuro. Porém o mais difícil de assimilar foi que quando real o sonho foi ainda melhor do que o idealizado, a lua parecia mais brilhante e mais nossa, a voz mais suave, o mundo mais íntimo, as conversas muito mais cúmplices.
O que temos de mais especial é esse sentimento de não ter que mostrar algo para nós mesmos ou um para o outro, de não esperar nada em troca, de não ter que nos moldarmos para o julgamento do outro, não precisamos de nada disso temos apenas que procurar um ao outro quando surge a vontade, ou apenas de lembrar um do outro quando precisamos sorrir. E o mais importante não precisamos um do outro e sim queremos estar lado a lado, mesmo que não seja no mesmo lugar.
O que irá acontecer? Não sabemos, nem conspiramos para um fim, estamos vivendo nossas realidades e usufruindo de nossas escolhas, por que aprendemos que se nossos caminhos estiverem na mesma direção nos certamente nos encontraremos, assim como já aconteceu.

Raissiana Vidal

Nós, homens, cegos...

Quão mais nítida e próxima a realidade.
Mais cegos os homens parecem ficar.
Cegueira que perpassa a capacidade de
não ver e, chega ao não sentir,
não estar, não existir...
Por vezes, andando pela rua.
Tenho a sensação de vivermos
encenando um espetáculo,
desprovido de arte, sem desejo.
Limitados ao papel que nos coube.
Ao lugar que marcaram para estarmos.
E enrijecidos à expressão que
pintaram em nossas faces.
Observando apenas o que nos é
permitido, repetindo comandos.
Sem ousar mover nossas cabeças
para enxergar o que há do outro lado.
Há muito roubaram os minutos
que reservávamos para o pensar.
Nua realidade por entre os muros do capital.

Raissiana Vidal

Um tempo de guerra.

Este até onde conhecemos é o único planeta habitado.
A espécie humana a mais complexa e inteligente.
O capitalismo o sistema inabalável.
Mas, do futuro as previsões são inexatas.

O planeta, em desastrosa destruição...
Justamente pela ação de seu único ser pensante...
O dinheiro tornou-se Senhor de seu próprio senhor...
No entanto ainda diz-se; Esta é a Era do desenvolvimento.

Nossa capacidade criadora chegou aos extremos, inimagináveis.
Criamos realidades virtuais, quase homens...
Inúmeros novos modos de viver.
E instauramos a cultura do valor ao TER.

Simultaneamente, geramos no seio da humanidade,
a capacidade de autodestruição.. E veio o caos.
Os valores se dissiparam no ar ... poluído.
Vivemos um tempo de guerra.

Raissiana Vidal

Amo-te e por isso vou-me.

Reencontrar-me, no vazio que escolhi.
Pode parecer-lhe insegurança.
Mas, de fato é necessidade.
Este que se curvou ao mundo
Não é meu melhor eu, e se o é,
Não me faz feliz.
O que me importa é justamente isso.
Provavelmente não entenderás
E me julgará.
As explicações são inúteis.
Assim será melhor, posso garantir.
Mais tarde que fosse,
Iria fugir, sou um bicho livre;
Em tudo que faço.
Se permitir prender-me a algo
Certamente definharei até o conformismo.
Seria diferente no amor?
Amo-te e por isso vou-me.
Levarei o que me cabe
És livre para fazer o que desejares
Com o que fica em Ti.
...
Até um novo desencontro.

Raissiana Vidal

Amigo...

Tentando defini-lo eu findei em duas palavras:
COMPANHEIRISMO e CUMPLICIDADE.
Os porquês, em quase tudo na vida são dispensáveis,
aqui também, vazios de essência,
pois sentimentos não se explicam se sentem.
Porém,... Vou tentar.

Companheiro é aquele que está por perto em qualquer situação
mesmo naquelas nas quais desejamos andar sozinhos,
e aí ele se faz imperceptível.
Ele, mesmo estando longe se faz presente ou
deseja estar e saboreia conosco todas,
desde as mais pequenas e simples, vitórias.
Ri, chora, puxa a orelha...

Mas,... nem todos os companheiros são cúmplices.
Contudo, se o são, formamos uma dupla imbatível.
Quero dizer que todas as investidas proibidas ou não,
todas as aventuras, permitas ou não,
e as mais, ditas ousadas e irreais ações que um de nós fizer ou
pensar fazer, serão dividas com o outro.
Desde a idealização até as sensações do acontecer.


Resta-me, então, agradecer pelo seu surpreendente existir!

Raissiana Vidal

Um novo olhar sobre o novo ano.

Era uma bela noite, que trazia consigo grandes expectativas e sonhos que deixavam à atmosfera carregada de uma estranha energia. Junto a isso estavam também todos os erros e decepções dos quais queríamos nos libertar em mais um fim de ciclo.
Éramos centenas, repletos de diferenças mas, naqueles instantes nos assemelhávamos. Como um grupo de crianças a observar o mundo ao redor. Contando os minutos, depois os segundos para então calar e deixar para nossos olhos a missão de contemplar o espetáculo das luzes. Quando estas passaram, um brilho ainda mais intenso surgiu; eram as estrelas, inúmeras à sorrir para nós.
E a lua como anfitriã a nos proclamar; Feliz Ano Novo!

Raissiana Vidal

A eternidade de alguns instantes.

Sinto meu corpo tão leve que o vento parece conduzi-lo ao seu desejo. E minha respiração consome do ar um perfume totalmente novo e fascinante. Desejo escrever todas as folhas que encontrar esta noite a fim de expandir esta alegria. Vejamos que a vida faz sentido em si mesma. Em sua própria força e forma de acontecer. Mesmo que traçamos planos e que escolhamos a dedo a ruas, os lugares e as horas, não há jeito podemos encontrar justamente aquele alguém do qual estamos fugindo. E diante de nossa impotência, não é preciso mais resistir... A doçura do mundo de revela, colorida e dinâmica, sonora ao ponto de despertar o desejo de dançar por toda a madrugada ao som do silêncio que consome este quarto agora.
... e foram poucas palavras, duas ou três gargalhadas... O que não impediu que este coração acelerasse como se fosse seu último segundo de vida e vibrasse ao ouvir o fluir de uma voz. Voz que reconhece como sua. E sentir um grande aconchego de quem está de novo em casa. E como é bom...

Raissiana Vidal

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nosso Povo.

De manhã, falta pão.
No almoço, o feijão
Jantar? Tem não.
De resto somos Oração.
...
Reza pra chover
Pra escapar,
Pra curar
para o sol aparecer
...
Submundo
Subdesenvolvimento
Subcultura
Subgente
Subalternos no seio da pátria.
...
Mas, continuamos na ilusão
da "mãe gentil".
A nos banhar de proteção.
Nesse quintal, Brasil.

Raissiana Vidal.

O vazio que me sufoca

O que sei, nada diz.
o que digo, nada muda.
O que faço ...
Parece vazio?

E se eu disser
Que preenche-me tanto
Que me sufoca.
Até a loucura, leva-me.

Mesmo que eu busque
O mais [dito] eficaz
meio de tranquilidade
Retorno sempre a meu
Turbilhões de dúvidas.

È um ser e não ser.
Infindo e doloroso.
Incertezas que não levam
a lugar algum.

Moldo-me, na tentativa
de enganar a mim mesma.
Sabendo que isso não consigo.
Finjo não existir.

Raissiana Vidal.

Minha cor.

Escolho a solidão
Na busca de mim mesma.
Assim, expresso sentimento
de muitos outrem
sem encontrar-me
em nenhum deles.

Mas, se porém recolho-me
ao silêncio e ao não pensar
mergulho me meu ser inerte
vazio e incolor.

Tenho a impressão
de vestir a cada dia
as cores de outros
as vidas e medos desses
sem nunca ter encontrado
a mim mesma.

E para que não passe
por esta sem nada deixar
virei poeta, ruim é verdade
Mas, ao menos fui algo.

Raissiana Vidal

A cada esquina uma nova aventura.

Passamos a maior parte de nossa existência a procura de várias coisas, o amor perfeito, a alma gêmea, nossa vocação, a tão falada felicidade ... Na maioria das vezes estamos tão focados nessas tais necessidades que não aproveitamos a vida e a deixamos passar e ir-se sem nós.
Confesso não entender bem de religiões, doutrinas que regem a vida de inúmeras pessoas, não estou dizendo que estão erradas, mas é bem fácil entender que não é preciso complexidade para viver plenamente, não precisamos ir além de nós para percebermos “Deus”, ou seja lá o nome que você dá a sua divindade. Olhe para o céu, sinta o vento, a natureza proclama a existência da perfeição que independe de nós, a qual estamos sujeitos.
Viver está muito além de correr desesperadamente para ser o melhor do mercado, aquele que tem o melhor celular, o carro mais tunado... A maioria dessas pessoas nunca experimentou de verdade o sabor da felicidade.
È tão difícil acreditar, que aquilo que já ocasionou guerras, que vidas já foram dizimadas em seu nome, está dentro de cada um, nos sorrisos, nas esperanças, nos sonhos e até mesmo nas decepções. Sabe o sabor da fruta que você teve de subir na árvore para pegá-la, ele é especial. Este é o gosto da felicidade.
Meus caros, não esqueçam de viver. Parem de apenas reclamar passivamente e se deixem contagiar por esse tão belo espetáculo, o mais esplêndido de todos; a vida. Vamos nos permitir, ser o desejamos, não se contente com papeis secundários quando você é o ator principal.
Enxergue, não só olhe, a beleza ao seu redor. Permita ao seu corpo sentir as emoções, as sensações, o sabor das mais diversas coisas, sem temor. Não se dê por vencido, jamais. Deixe-se mudar para melhor. Quando encontrar uma pessoa, esteja com ela (inteiramente presente) nem que seja apenas por um minuto. Faça de toda esquina uma nova aventura.
O tempo é apenas mais uma invenção dos homens, você é quem o controla. Relógios e calendários são apenas idéias de alguém acerca de alguns fenômenos, nós é que definimos nossos horários, nosso dias. Faça de sua vida inteira apenas um curto dia ensolarado, aquele em que se acorda cedo com vontade de aproveitar todos os seus momentos.

Raissiana Vidal.